A obesidade já foi símbolo de fartura e status social, mas hoje é reconhecida como uma doença crônica complexa, que exige cuidados contínuos e estratégias de enfrentamento em saúde pública. A forma como entendemos a obesidade mudou radicalmente ao longo da história — e compreender essa evolução é fundamental para reduzir o estigma e promover políticas eficazes.

Antiguidade e Idade Moderna: O Corpo como Símbolo
Durante séculos, em sociedades marcadas por fome e escassez, o corpo volumoso era sinal de prosperidade, fertilidade e abundância (Stearns, 1997).
Século XIX e XX: A Medicina e o Risco Cardiometabólico
Com o avanço da ciência, a obesidade passou a ser estudada como desequilíbrio energético e fator de risco para doenças metabólicas (Bray, 1992).
– Em 1842, Adolphe Quetelet criou o Índice de Massa Corporal (IMC), que só se consolidou no século XX como ferramenta prática para avaliar excesso de peso (Quetelet, 1842; WHO, 2000).
– Nos anos 1950, pesquisas epidemiológicas mostraram associação entre obesidade e diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares (Keys, 1957).
Fim do Século XX: A Epidemia Global
Em 1997, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a obesidade uma epidemia mundial (WHO, 1997). O reconhecimento internacional marcou um ponto de virada, com impacto em políticas de saúde pública.
Século XXI: Obesidade como Doença Crônica Complexa
– Em 2013, a American Medical Association (AMA) reconheceu oficialmente a obesidade como doença crônica.
– Em 2015, a World Obesity Federation reforçou o conceito de obesidade como condição multifatorial e recidivante.
– Em 2025, a Lancet Diabetes & Endocrinology Commission introduziu a classificação de obesidade pré-clínica x clínica, destacando que o diagnóstico deve ir além do IMC, considerando marcadores metabólicos e funcionais (Sharma et al., 2025).
O Posicionamento da ABESO (2022)
No Brasil, a ABESO (2022) define a obesidade como:
– Doença crônica, multifatorial e de origem complexa.
– Condição que deve ser avaliada com múltiplos parâmetros (não apenas peso).
– Problema prioritário de saúde pública, com forte impacto no SUS.
Essa mudança reforça a necessidade de combater o estigma e de ampliar políticas de cuidado integral.
Linha do Tempo da Evolução do Conceito de Obesidade
| Período | Como a obesidade era vista | Referência |
|---|---|---|
| Antiguidade | Símbolo de fertilidade e abundância | Stearns, 1997 |
| Século XIX | Desequilíbrio energético | Bray, 1992 |
| 1842 | Criação do IMC (Quetelet) | Quetelet, 1842 |
| 1950–1960 | Fator de risco para DCNTs | Keys, 1957 |
| 1997 | OMS declara epidemia global | WHO, 1997 |
| 2013 | AMA reconhece como doença | AMA, 2013 |
| 2015 | WOF reforça conceito crônico | WOF, 2015 |
| 2025 | Obesidade pré-clínica x clínica | Sharma et al., 2025 |
| 2022 (Brasil) | ABESO reconhece como prioridade no SUS | ABESO, 2022 |
Conclusão
A obesidade deixou de ser vista como questão estética ou sinal de abundância para ser reconhecida como uma doença crônica complexa, que exige diagnóstico precoce, abordagem multidisciplinar e políticas públicas consistentes.
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